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Elementos de Genética

Data do artigo: 2004-10-20 Autor: Amadeo Sigismondi

• Noções teóricas

• Aplicações à Canaricultura

Iniciamos nosso trabalho sobre canaricultura com algumas noções básicas e fundamentais sobre genética. O atual estágio da canaricultura exige que os criadores tenham um mínimo de conhecimento desta ciência. Muitas mutações, no decorrer de alguns anos, apareciam nos plantéis de nossos criadores e os pássaros eram descartados como defeituosos, ou simplesmente não eram usados na criação. Ou, ainda, se perdiam por falta de conhecimento que levasse à fixação do fenômeno.

A genética teve início com os estudos realizados por Gregor Johann/ Mendel, cientista nascido em 1822.

"Genética" vem do grego, relativo à geração e significa o estudo das leis que regem o comportamento hereditário dos caracteres dos seres vivos de todas as espécies. As leis de Mendel ficaram no esquecimento durante longo tempo até que, no principio deste século, foram como que redescobertas e passaram à posteridade, tendo a genética se fixado como ciência.

Para o ornitólogo, e muitos especialistas para o canaricultura e o criador de periquitos, a genética tem hoje uma fundamental significação. Por esta razão, nosso trabalho se inicia com genética elementar aplicada à canaricultura.

O conjunto de caracteres individuais, anatômicas e funcionais, é formado pela constituição orgânica e, com base neste conjunto, um indivíduo se diferencia de outro do mesmo grupo. A soma dos fatores hereditários ("genótipo") e mais os fatores desenvolvidos pela influencia do meio ("parátipo"), quando se externaliza e se manifesta, chama-se ("fenótipo").

Podemos, então, concluir o seguinte:

1 - Genótipo

São fatores que um determinado indivíduo possui em seu patrimônio hereditário, fatores estes não exteriorizados nele mas que podem ser transmitidos à sua descendência.

2 - Parátipo

São os fatores desenvolvidos pelo ambiente externo.

3 - Fenótipo

É a soma dos fatores exteriorizados em sua plenitude.

Os organismos vivos, animais ou vegetais, são compostos de células que são as unidades morfológicas e fisiológicas dos seres. A célula é constituída de uma membrana que a isola do meio ambiente. São inúmeras as substâncias que fazem parte da composição química da célula. A água é o constituinte celular inorgânico mais abundante e de maior importância. Na substância do cérebro, sua proporção é de 85% e nos ossos é de 20%. Desempenha um papel muito importante, pois é solvente dos íons minerais e tem vital importância nas reações metabólicas.

Os constituintes orgânicos estão representados pelas proteínas, lipídios, hidratos de carbono, ácidos, etc.

Os ácidos nucléicos são importantes constituintes das células, pois deles dependem as transmissões dos caracteres hereditários. Os ácidos nucléicos mais importantes são:

DNA - Ácido desoxirribonucléico e RNA - Ácido ribonucléico.

O DNA é o principal constituinte cromossômico, onde está localizado o material hereditário, denominado gen. Os cromossomos estão no interior do núcleo da célula, juntamente com o suco nuclear e os nucléolos. Os cromossomos, que já são um conjunto de gens, representam os agentes físicos portadores dos fatores genéticos que transmitem caracteres hereditários. O número de cromossomos varia conforme a espécie.

O número de cromossomos das células do corpo, ou células somáticas, representa-se por 2n e é chamado diplóide, pelo fato de cada um deles ter um homólogo. No homem, onde encontramos 46 cromossomos, temos na realidade 23 pares de cromossomos, e chamamos de cromossomos homólogos os dois cromossomos de cada par correspondente.

Como podemos definir o cromossomo? Podemos defini-lo de duas formas: citoplasmicamente os cromossomos são filamentos encontrados no interior do núcleo, dispostos em forma de discos, rigorosamente um ao lado do outro. Geneticamente os cromossomos são uma sucessão de gens, separados pelo centômetro que impede a fusão dos mesmos mantendo sua individualidade.

As células sexuais são as únicas que possuem n cromossomos, difereciando-se das células normais que possuem 2n cromossomos (diplóide). Por terem n cromossomos, as células sexuais são chamadas haplóides.

Na junção do espermatozóide masculino, chamado gameta, com o óvulo fecundado recebe o nome de zigoto e passa a ser uma célula diplóide 2n formada agora de duas células haplóide de n cromossomos cada uma. A este processo dá-se o nome de meiose. Após a fecundação e a posterior formação do zigoto, o mesmo é expulso do ventre materno sob a forma de ovo, protegido por uma cápsula calcária, possuindo dentro uma substância nutritiva que serve para alimentação do embrião até o nascimento.

Nas aves e em algumas espécies de insetos, o cromossomo sexual da fêmea difere do cromossomo do macho. As fêmeas têm um deles sem função, considerado normalmente atrofiado. Designamos de X o cromossomo ativo e de Y o cromossomo sem função. Nos machos, a designação é efetuado pelas letras XX.

Sabe-se o número de cromossomo de uma determinada espécie pela análise citológica. No canário, como já sabemos, é de 18, ou sejam, 9 pares, dos quais 8 são comuns a machos e fêmeas e são chamados autossomos. Um par é diferente nos dois sexox, sendo o macho = XX e a fêmea XY, como já vimos. Agora vamos ver a designação completa. Chamamos o conjunto de autossomos de A e podemos indicar um indivíduo do sexo masculino por 2AXX e a fêmea por 2AZY, ou 2AX/X2AZ/Y.

Algumas variedades de cores dos canários são transmitidos por gens que estão localizados nos cromossomos sexuais.

Para que um canário seja portador, é necessário que o gen esteja presente e um dos cromossomos XX. Como as fêmeas têm somente um cromossomo ativo X, elas nunca poderão ser portadoras de fatores ligados ao sexo. Serão sempre puras, quando o gen determinante deste caractere estiver presente em seu único cromossomos X.
      Como isto é de muito importância para uma gama de cores muito grande, vamos caracteriza-lo bem, de forma resumida.
Para os caracteres ligados ao sexo:

a) os machos são puros quando exteriorizam os caracteres, ou portadores, quando os possuem em um dos cromossomos, podendo transmiti-los sem contudo exterioriza-los.
b) As fêmeas somente podem ser puras para os caracteres em questão, não podendo nunca ser portadoras.

Observação: Os caracteres que são transmitidos por outros cromossomos, no caso, por autossomos e são também hereditários, esta hereditariedade se transmite de forma recessiva como veremos mais adiante.

Quando um canário é portador de um determinado caractere, dizemos que o canário é heterozigoto para este caractere. Ao contrário, se o canário é puro para o caratere considerado, dizemos que é homozigoto. Nos canários heterozigotos um dos caracteres é dominante - aquele que se manifesta, o outra é recessivo em relação a este. O dominante se manifesta (fenótipo) e o recessivo permanece escondido (genótipo).

LEIS FUNDAMENTAIS

Lei da Dominância

Dois caracteres constituem um par de alelos e um deles é dominante, que prevalece sobre o outro, dito recessivo e se manifesta nos híbridos da primeira geração, enquanto o outro permanece latente.

Lei da Disjunção

Quando se cruzam dois indivíduos puros e diferentes considerando-se um só caractere, verfica-se que todos os filhos F-1 são iguais entre si.

Lei da Independência

Cada par de alelos se comporta independentemente do outro par, e os alelos dos diversos pares se combinam segundo as leis de probabilidade.

Dominância Retardada

É o caso de um gen dominante que se manifesta mais tarde na vida do indivíduo, como a cor da plumagem de um canário, que se muda após a troca das penas de ninho.

Dominância Evolutiva

Trata-se de um gen dominante que se manifesta desde cedo, mas que tem sua força em constante evolução. O fator marfim, pelo que temos observado, tem inegavelmente uma dominância evolutiva.

Dominância Parcial

Conforme o nome indica, é quando não há uma dominância total. Exemplo clássico em canaricultura são os canários intensos. Sendo o maior intenso dominante sobre o nevado, não deveria haver o que chamamos de schimmel. Isto existe porque a dominância, no caso, é parcial.

São variações resultantes de alguma alteração da constituição hereditária, com aparecimento de uma variedade nova em qualquer espécie viva.

Nos canários, estudamos as seguintes:

Mutações Sexo-ligadas

As mutações sexo-ligadas são:
Canela - Ágata - Isabelino - Marfim - Pastel - Acetinato - Asas-cinzas - Inos lipocrômicos.

Nas mutações sexo-ligadas, as fêmeas, as fêmeas só podem apresentar mutações no fenótipo, não sendo portadoras. Os machos, porém, podem apresentar no genótipo e no fenótipo, podendo ser portadores.

MUTAÇÕES AUTOSSOMAIS

As mutações autossomais dividem-se em dois grupos:

• Dominantes (Branco dominante e intenso)
• Recessivas (Branco, Opalino, Ino melâncio, Topázio, Eumo).

Fêmeas e machos podem apresentar a mutação no genótipo e no fenótipo, podendo ambos ser portadores.

DOMINÂNCIA ENTRE AS CORES

Lipocrômicos
· Branco dominante -- " Amarelo -- " Branco

Melâncios
Observação: A mutação Asas-cinza se manifesta nos negro marrom oxidados pastéis (Verde Pastel, Cobre Paste, Azul Pastel, Azul Dominante Pastel), podendo ser portada por qualquer um deles.

A mutação Marfim, embora faça parte das mutações sexo-ligadas não afeta as melaninas, somente o lipocromo. Quando o canário melânico possuir lipocromo, este pode ser afetado por esta mutação.

Para que um canário seja puro, para um determinado caractere é necessário que o gen determinante deste caractere esteja presente nos dois cromossomos XX - caracteres ligados ao sexo.

Fonte: Amadeo Sigismondi ( voltar ao topo )

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